Um ruído! Que som seria aquele? Sim, o interfone. Levanto-me ainda fora da realidade, tentando voltar a ela ou tentando adequá-la a mim. Atendo:
_Quem é?
_ Walter. Uma voz conhecida falou.
Percebendo a familiaridade, abri os portões e fixo à espera.
Campainha.
Deixo-o entrar, recebo um oi sério e desrespeitoso.
_ Olá.
_ Como vai?
_ Vou bem, e você?
_ Bem, assim como sempre, nunca fui.
O estranho senta-se conhecidamente de um modo confortável, ignorando toda bagunça e sujeira.
Acende um cigarro e pergunta ao cachorro. _ Faminto?
Vou à cozinha e alimento o gato.
Ouço um grito surdo, entre a música alta e o som pontual das turbinas.
O grito revela-se uma pergunta. _ O que havia acontecido ontem?
Nem a pergunta, muito menos a resposta são claras.
_ Deixe-me dizer, de um jeito ou de outro, isso não faz diferença agora.
_ O que quer de mim?
_ Não sei, sinceramente não sei o que você esta fazendo aqui.
No espelho assusto-me com a imagem do estranho. De volta na sala, ninguém mais há.
