22.5.07

Indiviso

Um ruído! Que som seria aquele? Sim, o interfone. Levanto-me ainda fora da realidade, tentando voltar a ela ou tentando adequá-la a mim. Atendo:

_Quem é?
_ Walter. Uma voz conhecida falou.

Percebendo a familiaridade, abri os portões e fixo à espera.
Campainha.
Deixo-o entrar, recebo um oi sério e desrespeitoso.

_ Olá.
_ Como vai?
_ Vou bem, e você?
_ Bem, assim como sempre, nunca fui.

O estranho senta-se conhecidamente de um modo confortável, ignorando toda bagunça e sujeira.
Acende um cigarro e pergunta ao cachorro. _ Faminto?
Vou à cozinha e alimento o gato.
Ouço um grito surdo, entre a música alta e o som pontual das turbinas.
O grito revela-se uma pergunta. _ O que havia acontecido ontem?

Nem a pergunta, muito menos a resposta são claras.

_ Deixe-me dizer, de um jeito ou de outro, isso não faz diferença agora.
_ O que quer de mim?
_ Não sei, sinceramente não sei o que você esta fazendo aqui.

No espelho assusto-me com a imagem do estranho. De volta na sala, ninguém mais há.

16.5.07

se

QUANTAS VEZES EU JÁ ENCONTREI-a NO
JARDIM A MINHA ESPERA COMO SE NADA
FOSSE COMO JÁ FOI ANTES DE NÓS APENAS
TENTANDO ENTENDER O MUNDO COMO
AINDA PODE SER SEM SABER SE UM DE NÓS
AINDA NÃO DEU A MARTELADA FINAL DO
INÍCIO DE TUDO O QUE JÁ se PASSOU
NAQUELE INSTANTE QUANDO ENCONTREI
VOCÊ A MINHA ESPERA NAQUELE MOMENTO
DE ANTES QUANDO EU FUI EU E VOCÊ ERA
EU SENDO VOCÊ ME FAZER SER QUEM É
OLHANDO PARA LONGE COMO SE NÃO
VISSE PELA FRENTE AQUILO QUE AINDA
VIU HÁ MENOS DE UM SEGUNDO ATRÁS
.