21.12.09

Fosco desgosto

minha bela é ordinária
dela nada irradia
então a faço imaginária
construo fantasia

em seu rosto desenho linhas
uma atrás d'outra em harmonia
ponho em diferente casinhas
para que assim acabe a agonia

mas seu fosco desgosto
um julgar como nenhum outro
retorna dos mortos, a ironia
pr'esta desafinada sinfonia

toda essa euforia, na distância a agonia
do outro lado daquela imensa bacia
ele se perguntava, algo mais haveria?
o quê mais suas largas costas suportaria?
o que me quebra é a lembrança,
é a falta dela.
fragmentos do mundo que não existe mais
e minha memória falha,
entalha e retalha a vida em fractal.
quase chego a lembrar,
dá-me o um frio na barriga ao ponderar
significa que nao é mais?
ja passou? como é capaz?
Tudo está para trás.
retrato parcial
e parcelando, memorizando
o tempo, aquele que permite, omite, demite e hepatite.
Pois esta é uma pergunta, ainda mesmo que soe absurda, quem se esconde atrás dessa cortina, veste saia ou bermuda?
Talvez sejas tu o freguês? Aquele que ama comprar outra vez, do palco agradecem tua preferência e tu pagas com tua paciência.
És tu o gago, que um dia um tanto fúnebre, amaciou os ouvidos com ruídos ou és tu a moça alegre, que riscou os canais com maciez serelepe?
O que muda, sua muda e cresce, ao relento, quase que desatento, na muda o intento, esta não desmerece, apenas floresce.
A brincadeira, no entanto, não espero ser ligeira, portanto, durma em sua banheira, pode enche-la com água de torneira, pois a derradeira sempre acontece.